Adeus querido Doug.



Sinto que por aqui partilho sempre o melhor dos meus dias, aquilo que me deixa feliz e me inspira, todas as coisas que são tão boas que preciso de partilhar convosco. Hoje quero falar-vos de coisas menos felizes, quero falar-vos de perda.


O meu (e nosso) querido Doug, no inicio de Agosto, partiu. Fomos a uma consulta de rotina, no veterinário, onde ele iria por as vacinas em dia. Uma coisa normal, sem grandes alaridos. Saímos de casa e decidimos ir a pé, para cansar o pequeno que gostava tanto de ir ao veterinário que se não fosse cansado era impossível auscultá-lo. Fomos com tempo, aproveitámos o sol, tomámos o pequeno almoço num café e seguimos para a clinica. Ele estava feliz e cheio de vida (e é assim que gosto de me lembrar dele). Já no fim da consulta, chegou a hora da vacina. Ele não se queixou, era muito raro queixar-se de alguma coisa, e fulminante desmaiou-me nos braços. Foram mais de 30 minutos a tentar trazê-lo de volta, mas ele não reagiu. Sinto o estômago na boca e o coração a mil, só de pensar nesses 30 minutos. Foram os 30 minutos mais rápidos e mais lentos da minha vida. Assisti a tudo fora do corpo, como se de um sonho se tratasse e tal como um sonho, não me consigo lembrar de metade. O meu cérebro (ou o meu coração) quiseram bloquear todo aquele momento da minha memória. Não me lembro de o deixar nem da viagem para casa, apenas me lembro de querer acordar.



Foi uma morte inesperada, seca e dolorosa. Senti que nesse dia perdi uma parte de mim, senti que perdi uma perna e que não sabia como iria voltar a caminhar. Ainda hoje o meu cérebro me prega partidas, ouço-o a saltar da cama para o chão, vejo-o deitado no sofá, procuro por ele na cama, a meio da noite, olho para trás nos corredores, à espera de o ver, e sinto o seu perfume de maçã quando entro dentro de casa.



Têm sido dias difíceis e tenebrosos, onde me tento agarrar ao lado positivo da vida. Reconforto-me em saber que foi um cão feliz, com uma vida cheia pessoas que o amavam. A palavra espalhou-se rapidamente e as mensagens de amor que recebi de amigos, conhecidos e desconhecidos encheram-me de lágrimas e sorrisos. Cada vez que penso no nosso Doug há um nó na garganta, um aperto no estômago e um rol de emoções que não sei onde começa nem onde acaba. No entanto estou grato, estou grato por tê-lo comigo durante quase dois anos. Foram quase dois anos que me mudaram enquanto pessoa e ele deu-me muito mais do que eu alguma vez lhe poderia ter dado. Foram quase dois anos muito, muito felizes.



O Doug teve uma reacção alérgica a uma vacina que só 1% dos cães tem. Ele era o 1% em tudo, incluíndo na quantidade de amor que trouxe para a minha vida e para as vidas de quem se cruzou com ele. Adeus querido Doug, trago-te sempre comigo.



O fim-de-semana está à porta e quero dizer-vos para abraçarem muito os vossos amigos de 4 patas. Encham-nos de mimos, digam-lhes o quão gostam deles e aproveitem para irem fazer aquele passeio que não param de adiar, com ele.

Fred*

25 comentários:

  1. Ai, Fred. Eu jamais conseguiria sentir sua dor agora, mas posso imaginá-la ao menos um pouco. Tenho um cachorrinho (também um pug, o Bacon) e só de imaginar algo assim me dá um nó na garganta, o choro vem.. Eu não te conheço e sei que não há nada que eu diga que possa te confortar. Mas tenta fazer o que você mesmo disse e focar em todas as experiências lindas e aprendizados que ele deixou pra você. Na quantidade imensurável de amor que vocês trocaram. Força pra você, que essa ferida cicatrize rápido e fique a saudade e as lembranças boas.

    ResponderEliminar
  2. Fiquei de coração apertado ao ler este post... Não o conheço, mas mando-lhe um abraço, grande, apertado. Força, Fred e pense nos momentos bons que viveu com o seu Doug e isso ficará sempre consigo.

    Um beijinho

    ResponderEliminar
  3. Sei bem o que isso é Fred, quando perdemos o nosso melhor amigo de quatro patas e fica em nós um vazio que nada nem ninguém consegue preencher (nem mesmo o tempo). Com o passar das semanas, dos meses, dos anos, a dor vai esbatendo, habituamo-nos à saudade, mas nunca esquecemos. Um dos meus cães marcou-me tanto que hoje, passados mais de dez anos, ainda sinto nas mãos o que era acariciar-lhe o rosto. Que tenhas muito mais amor para dar a outros animais e resta-te pensar isso mesmo, que o Doug foi certamente muito feliz. Abraço forte.

    ResponderEliminar
  4. Ai meu Deus, que até derramei uma lágrima a ler o teu texto. Sei perfeitamente pelo que passaste, pois já passei pelo mesmo algumas vezes. Hoje tenho o Bóris, ele já tem 9 anos e sempre que está mais murcho, eu fico com o coração nas mãos. Nunca estamos preparados para perder os nossos amores.

    ResponderEliminar
  5. Estive contigo nesse dia, embora se tenha perdido uma vida, um ser amado, outros dois tiveram a oportunidade de receber
    Amor e um lar. Fica-nos sempre o alento de termos proporcionado o melhor nas suas curtas vidas ❤️

    ResponderEliminar
  6. Doí muito Fred … infelizmente são dores que todos passamos.
    É a vida, como se diz!
    O que posso apenas fazer daqui … é enviar-te um beijinho grande e energias positivas! Força, vai lembrando com as fotos lindas que tiravas todos os dias ao teu menino, porque lembrar e sentir saudades faz parte do processo!
    O tempo passa e a dor transforma-se em sorrisos. ;)

    ResponderEliminar
  7. Oh que post bonito Fred, deixaste-me de nó na garganta e lágrimas nos olhos. Um abracinho bem apertado <3

    ResponderEliminar
  8. Muita força Fred! Tenho a certeza que foi muito muito feliz por te ter como dono e é isso que interessa. Saber que a sua vida, embora curta, foi tão bonita e feliz como um belo dia de sol. Força! E muitos beijinhos para o Ted :)

    ResponderEliminar
  9. Partilho o sentimento da Cláudia. Lágrimas nos olhos e nó na garganta. É uma dor que demora, eles marcam-nos sempre tanto e as tuas palavras são muito bonitas. Foi um cão com uma sorte tremenda.

    ResponderEliminar
  10. olá! Entendo bem o que estão a sentir! Perdi a minha Pêpa há uns meses e é como se nos faltasse alguém da família. São tão especiais os nossos amiguinhos que se torna doloroso demais ficar sem eles.
    Jamais esquecerei a ternura daquele olhar! :)
    Ajuda partilhar o vosso amor com outro cachorrinho! vá lá, pensem nisso!!! ;)
    Coragem para os momentos de saudade...

    beijinhos
    Cátia

    ResponderEliminar
  11. Owww, pobre Doug. Agora resta lembrá-lo com carinho e com a maior felicidade possível!:)

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  12. Fred, não tenho palavras para confortar essa tua dor. Lembra os bons momentos e o quão foi bom ter esse amigo tão especial! Um abraço apertadinho, Renata

    ResponderEliminar
  13. Querido Fred, sou uma assídua visitante do vosso blogue mas raramente comento, mas depois de ler este teu texto tão emocionado tinha de o fazer porque também eu perdi o meu pequeno Pablo de 4 anos em Agosto e entendo perfeitamente toda a dor e tristeza que sentes. Infelizmente o meu Pablo faleceu vítima de negligência médica e há uma revolta muito grande por tudo isto ter acontecido com um ser tão especial. Entendo quando dizes que o procuras à noite, entendo quando dizes que o ouves porque acredita que também me acontece, são as saudades a vontade de os ter junto a nós e Ainda hoje comentava que das coisas que mais e custa é ver a casa sem pelos. Passaram quase dois meses e eu ainda tenho os arranhadores dele nos mesmos lugares porque eu ainda o sinto por lá e sei que o vou sentir sempre porque amei-o e amo-o muito. Muita força Fred, e um beijinho grande.

    Vânia | Lolly Taste

    ResponderEliminar
  14. Sabes que eu conheci o teu trabalho através dele, de uma fotografia no instagram! Os meus sentimentos Fred! Emocionei-me de o inicio ao fim com as tuas palavras, muita força e um beijinho grande! :) *

    ResponderEliminar
  15. Muito, muito, muito obrigado pelo carinho todo <3 Ler este amor todo deixa-me de peito cheio e lagrimas nos olhos. O Doug foi realmente um cão muito amado <3

    ResponderEliminar
  16. Oh Fred... Sinto mesmo muito
    *sofia

    ResponderEliminar
  17. lamento muito.
    Agarrem-se ao " foi feliz".

    ResponderEliminar
  18. Fred leio este post e percebo cada uma das tuas palavras, faz ontem uma semana que perdi minha amiga e companheira de uma vida, minha gata Lucia esteve comigo sempre, chegou a minha casa quando eu tinha 9 anos, veio comigo da Venezuela e desde sempre esteve comigo, nos melhores e nos piores momentos da minha vida.
    Vivemos juntas 20 anos e duas semanas e percebo o teu vazio, ontem fez uma semana e eu sinto tudo como se tivesse sido ontem.
    Tenho certeza de uma coisa ela foi feliz e eu fui feliz com ela, lhe dei amor e carinho todos os dias. Guardo 20 anos de boas memorias e a certeza que nunca a vou esquecer!
    Ela foi especial, como o teu Doug e é assim que os devemos recordar, embora não seja fácil, eu sei que o tempo nos vai dar força!
    Um beijo muito grande!♥

    ResponderEliminar