Olá Ted!

Depois do Doug disse que não queria animais tão cedo. Queria ajudar como conseguisse mas não queria ter um cão que fosse meu nos próximos tempos. No entanto o coração trocou-me as voltas e hoje quero apresentar-vos o meu novo amigo de 4 patas, o Ted.

O Ted tem 9 meses e estava a viver na casa de uma família amiga que, infelizmente, já não tinha condições para o manter. Pediram ajuda, precisavam de uma casa nova para o Ted mas não queriam que ele ficasse muito longe. O Ted era muito amado na casa onde estava mas por vezes a vida troca-nos as voltas. Eu, contra todos os meus instintos, decidi abrir os braços para este pequeno. Não foi uma decisão fácil nem simples, adoptar um cão nunca o é, especialmente um cão quase adulto. Agora, ainda no meio de muito trabalho e adaptação, sei que tomei a decisão certa.

O Ted passou por muitas mudanças, esta é a sua terceira (e definitiva família), o seu nome era Fred (coincidências que não iam resultar cá em casa), passou de um sítio calmo para o meio da cidade e nunca foi treinado. Isto tudo resulta num cão simpático, cheio de amor para dar mas que nunca aprendeu a estar sozinho, que se assusta com todos os sons e que tem medo da própria sombra.




O Ted tem muito frio a toda hora (daí ter uma camisola), gosta mais de pessoas do que de cães, gosta mais de mimos do que de comida, gosta de dormir até tarde e ressona muito alto. Para quem se estiver a perguntar sobre o que é aquela coisa cor-de-rosa no olho dele, não se preocupem que ele não está magoado! O Ted nasceu com o saco lacrimal fora do olho, às vezes está do lado de fora do olho, outras vezes está para dentro, não o magoa nem o incomoda. Como dá para ver, ele é um cão especial.


Trazer este pequeno para a minha vida tem sido uma aventura, ele precisa de aprender muita coisa e eu aprender coisas com ele. Tem sido um processo lento e às vezes difícil mas tudo está bem quando ele sobe para o meu colo e dorme seguro e sem medos (tal como está acontecer enquanto escrevo este post).

Se quiserem ver mais aventuras deste pequeno, acompanhem-no instagram.
Tenham uma boa semana e espalhem amor à vossa volta.

Fred*

Davide Bonazzi e os velhinhos que nos apaixonam


Se são como eu, quando vêem um casal velhinho de mão dada ou abraçados no meio da rua, não conseguem conter um "aww!". Há qualquer coisa de mágico com a troca de afectos na terceira idade. Talvez seja a história que imaginamos dentro da nossa cabeça, onde um casal que se está junto quase a sua vida toda, ainda se ama tanto que não se contêm em público. Ainda se ama tanto que adoram passar tempo juntos e sorriem quando estão na companhia um do outro.

No Day Trippers do Davide Bonazzi foi isso que eu senti, aquele "aw" que me deixa de coração cheio. Claro que a estética, as cores, as texturas e as sombras me deixam apaixonado mas é o que está para lá das ilustrações que me deixa genuinamente feliz.










Vejam mais do trabalho do Davide no seu site e sigam-no no facebook.

Tenham uma boa quarta-feira, pessoas bonitas <3

Fred*

Os 32 apanharam-me

Este mês de Outubro veio trazer-me mais um ano de vida, e completei assim os meus 32 Outonos. Quem segue o blog já foi vendo por aqui umas imagens dos aniversários passados, com bolos bonitos e pessoas que o são ainda mais. Este ano, não sei se pela falta de magia do número, não senti vontade nenhuma de fazer festa, e como este blog não pode falar e mostrar só aquilo que é mesmo fixe, decidi contar-vos só que fiz 32 anos, que não fiz festa de aniversário, que não fiquei feliz com o dia (foi mesmo só mais um) e que não pode haver drama nenhum com isso :p

No ano passado o verão foi dos mais atribulados de sempre, houve uma mudança de casa imposta e repentina e tinha acabado de me mudar quando fiz os 31. Numa situação normal não haveria tempo, condições ou disposição para festa, mas como o pesadelo acabou tão bem, com uma casa simpática e o início de muitas coisas boas, tive energia para fazer uma festa bonita e receber toda a gente cá em casa. Este ano não havia energia, nem vontade, porque estes 32 souberam-me a nada... por favor digam-me que não vai ser assim até aos 40.
Os meus amigos queridos, e que adoram uma boa festa, não reclamaram, entenderam e encheram-me de mimos na mesma. O ramo que vêem ali em cima foi só o ramo de flores mais bonito que recebi em 32 anos. Já está um bocadinho amassado porque veio para casa mesmo ao ombro, e já estou com pena de saber que vai desaparecer daqui a uns dias.
Não quero parecer ingrata porque de facto tenho muitas coisas boas na vida, temos todos coisas boas e coisas menos boas. Foi um ano diferente, uma sensação diferente, e às vezes mais vale não pensar muito nestas coisas e não as problematizar.

Sendo assim, se já passaram por isto ou se estão a passar, e se acham que deste lado as coisas são sempre melhores e o sol brilha todos os dias, saibam que não é verdade :p
Para os que se preocupam comigo, não passei o dia sozinha, a minha mãe fez o seu papel e obrigou-me a acabar o almoço com bolo, e estive com muitas pessoas de quem gosto muito e que são a minha família. Fiz questão de dizer a todos que não queria presentes, mas houve quem não me respeitasse, como o meu sócio, e em breve haverá um post de inspiração à conta do que ele me ofereceu. Ah... e o meu afilhado, com 3 anos mas já cheio de jeito para as artes, encheu-me a casa de pinturas lindas, onde posso passar horas à procura de olhos e narizes.
Para este novo ano, espero fazer muitas das coisas que andam aqui empatadas por falta de tempo ou energia, espero ter manhãs boas e calmas com os gatos cá de casa, espero passar mais tempo com aqueles que são importantes para mim, dedicar-lhes mais atenção e dar-lhes o melhor de mim. Nem sempre acontece e a cada ano que passa sei que é mesmo o mais importante.

Espero que tenham todos uma boa semana e obrigada por continuarem a vir aqui ler-nos, nos posts mais felizes e nos mais sossegadinhos  :)

Raquel

Adeus querido Doug.



Sinto que por aqui partilho sempre o melhor dos meus dias, aquilo que me deixa feliz e me inspira, todas as coisas que são tão boas que preciso de partilhar convosco. Hoje quero falar-vos de coisas menos felizes, quero falar-vos de perda.


O meu (e nosso) querido Doug, no inicio de Agosto, partiu. Fomos a uma consulta de rotina, no veterinário, onde ele iria por as vacinas em dia. Uma coisa normal, sem grandes alaridos. Saímos de casa e decidimos ir a pé, para cansar o pequeno que gostava tanto de ir ao veterinário que se não fosse cansado era impossível auscultá-lo. Fomos com tempo, aproveitámos o sol, tomámos o pequeno almoço num café e seguimos para a clinica. Ele estava feliz e cheio de vida (e é assim que gosto de me lembrar dele). Já no fim da consulta, chegou a hora da vacina. Ele não se queixou, era muito raro queixar-se de alguma coisa, e fulminante desmaiou-me nos braços. Foram mais de 30 minutos a tentar trazê-lo de volta, mas ele não reagiu. Sinto o estômago na boca e o coração a mil, só de pensar nesses 30 minutos. Foram os 30 minutos mais rápidos e mais lentos da minha vida. Assisti a tudo fora do corpo, como se de um sonho se tratasse e tal como um sonho, não me consigo lembrar de metade. O meu cérebro (ou o meu coração) quiseram bloquear todo aquele momento da minha memória. Não me lembro de o deixar nem da viagem para casa, apenas me lembro de querer acordar.



Foi uma morte inesperada, seca e dolorosa. Senti que nesse dia perdi uma parte de mim, senti que perdi uma perna e que não sabia como iria voltar a caminhar. Ainda hoje o meu cérebro me prega partidas, ouço-o a saltar da cama para o chão, vejo-o deitado no sofá, procuro por ele na cama, a meio da noite, olho para trás nos corredores, à espera de o ver, e sinto o seu perfume de maçã quando entro dentro de casa.



Têm sido dias difíceis e tenebrosos, onde me tento agarrar ao lado positivo da vida. Reconforto-me em saber que foi um cão feliz, com uma vida cheia pessoas que o amavam. A palavra espalhou-se rapidamente e as mensagens de amor que recebi de amigos, conhecidos e desconhecidos encheram-me de lágrimas e sorrisos. Cada vez que penso no nosso Doug há um nó na garganta, um aperto no estômago e um rol de emoções que não sei onde começa nem onde acaba. No entanto estou grato, estou grato por tê-lo comigo durante quase dois anos. Foram quase dois anos que me mudaram enquanto pessoa e ele deu-me muito mais do que eu alguma vez lhe poderia ter dado. Foram quase dois anos muito, muito felizes.



O Doug teve uma reacção alérgica a uma vacina que só 1% dos cães tem. Ele era o 1% em tudo, incluíndo na quantidade de amor que trouxe para a minha vida e para as vidas de quem se cruzou com ele. Adeus querido Doug, trago-te sempre comigo.



O fim-de-semana está à porta e quero dizer-vos para abraçarem muito os vossos amigos de 4 patas. Encham-nos de mimos, digam-lhes o quão gostam deles e aproveitem para irem fazer aquele passeio que não param de adiar, com ele.

Fred*

Parabéns à Maria Bôla

A Maria Bôla comemorou o primeiro aniversário e foi lindo.
Para quem nos segue há algum tempo, já não é novidade que este cantinho de Cedofeita está no nosso coração. Acompanhamos o princípio de tudo, a identidade do espaço saiu das nossas mãos, e depois ainda tivemos o prazer de desenhar algumas coisas que por lá andam, como os menus que podem ver aqui.
Como é impossível ficar indiferente à simpatia e ao carinho com que a Maria nos recebe, continuamos por perto e não poderíamos deixar de passar por lá num dia especial como este.